quarta-feira, 13 de maio de 2009

Ser mãe solteira aos 25 anos de idade não é coisa fácil. Aos 25 ainda somos inseguras e nos preocupamos excessivamente com a opinião alheia. Pelo menos eu me preocupava. Ainda nem estava acostumada com a idéia de que tinha uma vida sexual e era um tanto constrangedor desfilar com a minha cara de menina e minha barriga de grávida. Era como escrever na testa para todo mundo ver: “eu fiz sexo”.
Isso causava um grande espanto nas pessoas porque apesar da minha maioridade eu parecia ter uns 17 anos. Sem contar os tênis e calças jeans, meus itens preferidos no guarda roupas.
Ou talvez as pessoas nem percebessem... mas eu percebia a minha imaturidade.
Eu fiquei obcecada por casamento. Não que eu quisesse casar. Apesar de mal ter iniciado a minha sexualidade já estava disposta a encerrá-la por ali. Naquela época eu só não me candidatei em um convento porque imaginei que não aceitariam uma aspirante à freira com um filho a tiracolo.
Eu simplesmente passei a reparar em como uma sociedade que se diz moderna ainda prezava coisas tão antiquadas como o casamento.
Uma propaganda de seguro de vida mostrava uma barriga de uns oito meses e uma mão acariciando-a enquanto um narrador falava qualquer coisa sobre cuidar das pessoas que amamos. A cabeça da dona da barriga não aparecia, nem nenhuma roupa, nenhum cenário... apenas uma reluzente aliança servia de figurino para modelo. Até na embalagem do adoçante tinha (ainda tem!) o retrato de um casal tomando café da manhã com seus pijamas cheirosos e duas alianças grossas o suficiente para serem notadas.
Eu via o olhar das pessoas desviarem da minha barriga enorme e redonda direto para a minha mão esquerda e depois, numa última hipótese esperançosa, para a minha mão direita. O mundo todo parecia me cobrar um pai para a minha barriga.
Ou, pensando de trás pra frente (ou de frente pra trás), talvez fosse apenas a minha imaginação e eu que na verdade fosse antiquada e sofria por não exibir aliança nenhuma em meu dedo.
Justo eu que achava a coisa mais cafona do mundo usar aliança de compromisso quando se é namorado, comecei a virar meu anel de ouro de modo que o design ficasse escondido na palma da minha mão. Aquele pequeno risco dourado em meu dedo me fazia sentir tão mais segura e pronta pra enfrentar todo o mundo.
Mas cá com meus botões eu sabia que aquele casamento era entre mim e meu filho apenas. Foram nove meses de noivado até que nos casamos no dia do seu nascimento. Um casamento que já dura seis anos e que com certeza será eterno.
Depois que ele nasceu, logo depois mesmo, tipo no dia seguinte, eu já estava um bocado mais madura. Esqueci dessa história de aliança. O meu amor pelo meu filho jorrava sem parar por toda parte, afogando tudo a nossa volta e suprindo toda e qualquer falta.
Eu não sentia mais falta de nada porque o que era mais importante eu conseguia carregar nos braços.
Mas a vida é aquela velha amiga sacana... que adora pregar uma peça na gente. Justo naquela sexta à noite em que você está disposta a ficar sossegada em casa ela vem toda animada e não te larga o pé enquanto você não topar sair e dar uma volta com ela. E em nome da velha amizade você acaba se rendendo e sai, mas com a certeza de que vai acabar se metendo em encrenca. A vida sempre arruma encrenca.
Dito e feito. A encrenqueira me arrumou um novo amor. Eu que já era uma obesa mórbida de tanto amor materno que existia dentro de mim tive que fazer meu coração crescer ainda mais para cultivar um amor de mulher por um homem.
Quando eu nem queria mais, ganhei uma aliança de verdade e sem nem perceber ela saiu da mão direita e foi morar na esquerda. Agora eu tenho uma família típica de propaganda de seguro e de embalagem de adoçante.

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